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Eu sabia que nem tudo estava bem. Mas tinha tanto medo. Medo de te perder. Medo de me imaginar sem ti. Medo de te imaginar sem mim. Medo de lutar sem ter a mão dada à tua. Medo de perder tudo o que construímos em 7 anos e uns quantos mesinhos. 
Quando me conheceste eu escrevia muito. Mas muito mesmo. Encontrei cadernos meus tão escritos como nem eu imaginava escrever. 
Depois deixei de escrever. Não por tua causa. Não por isso ser mau. Mas por não sentir essa necessidade. Deixei de escrever para falar contigo. E falei. E falámos. E conversámos. E tu respondias. E limpavas-me as lágrimas se fosse preciso. O papel não faz isso.
Há 7 anos conheci o homem da minha vida. Conheci-te. E o meu corpo disse-me que eras "o tal". O meu corpo disse-me para não te largar mais. E eu lutei. Lutei tanto.
Em 7 anos passámos por muita coisa. Muitas batalhas que vencemos. Outras que não vencemos mas saímos juntos, de mãos dadas, como era costume. 
Há 7 anos e 6 meses eu sabia o teu nome e a tua turma. Olhava para ti como se fosses um sonho que eu nunca pudesse alcançar. E 6 meses depois estávamos a falar sem parar. Conheci-te e amei-te. Logo ali. Sem justificação. 
7 anos depois eu sinto-te a fugir. 7 anos depois eu não posso fazer nada mais que esperar que me ames com a força que me amaste durante estes 7 anos. Não posso fazer nada mais que esperar por ti. Não posso fazer nada mais do que esperar que te lembres dos momentos bons e dos menos bons e como éramos um para o outro.
Nem sempre fomos os mais correctos e muito menos vivemos um conto de fadas encantado. Mas quem disse que era para ser um conto de fadas? Só quem vive e partilha o bom e o mau sabe que nem sempre são sorrisos.
Querido Marco, as saudades são muitas. E 7 anos depois, eu estou a escrever. Não porque não tenho ninguém com quem falar (graças a Deus, tenho bons amigos!) mas porque quero falar contigo.
Estamos a atravessar uma má fase no nosso planeta, estamos em casa em isolamento social. Eu saio de casa todos os dias para cuidar do próxima e rezo todos os dias para que isto passe. E tu? Como estás? Não tens medo por mim? 
Sempre foste o mais protector comigo. Sempre foste tu a olhar por mim. Mesmo quando eu não olhava. Não porque não queria saber de mim mas porque sabe tão bem esse cuidado que tens comigo. Ou tinhas... As lágrimas secaram. Dá para acreditar? Como as coisas mudam. Mas o coração aperta muito. Aperta tanto que eu acho que ele está mais pequenino.
Nestes dias tenho procurado ocupar a minha cabeça e focar-me noutras coisas para além da saudade que sinto. Mas não voltei a ver o Skyfall. Voltei a ver Anatomia de Grey. Voltei a treinar. Comecei a (tentar) meditar. Voltei a cantar (no chuveiro, na cozinha, no quarto e na sala). Voltei a ouvir música tão alto! Voltei a ficar no silêncio. Fui até à praia e apreciei cada onda, rezei e chorei muito por ti.
Quero que tudo isto passe.
Sinto tanto a tua falta.

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